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Chipre: presente dos deuses

04/05/2018

Chipre reúne, numa ilha só, boa comida, algumas das melhores praias da Europa e um pouco das marcas deixadas por todos os povos que singraram o Mediterrâneo.

Por Xavier Bartaburu*. Especial para a The Traveller

A ilha de Chipre já foi grega, egípcia, assíria, persa, romana, bizantina, veneziana, otomana e britânica. Hoje é um país independente, embora dividido em dois: o sul, de cultura grega, e o norte, de cultura turca, que luta pela independência. Os tempos, porém, são de paz, e todos podem circular livremente pela ilha – tanto os cidadãos cipriotas quanto os visitantes. Para esses, Chipre oferece a oportunidade única de conhecer duas culturas numa ilha só e ainda mergulhar na longa história desse lugar, situado num dos pontos mais movimentados do planeta. Chipre sempre esteve no caminho de todo o mundo que transitou pelo Mediterrâneo nos últimos 3 mil anos. E todo o mundo deixou suas marcas aqui. Entre as duas metades de Chipre, há um muro que cinde a terceira maior ilha do Mediterrâneo de leste a oeste e faz de Nicósia a última capital dividida da Europa. Mas ele já vem sendo tratado como atração turística – mais uma num país que, apesar de compacto (pode-se atravessá-lo de carro de uma ponta a outra em três horas), reúne resquícios de quase todos os povos que já singraram o Mediterrâneo. Fora a vantagem de vivenciar o melhor da Grécia e o melhor da Turquia numa ilha só, do tamanho de meio Sergipe. 

As praias de Chipre, por exemplo, foram classificadas como as mais limpas da Europa pela Agência Europeia do Ambiente. E este ano, numa enquete do Trip Advisor das dez melhores praias do continente, o país figura no primeiro e no terceiro lugar, com, respectivamente, Nissi e Fig Tree. Ambas ficam na região de Agia Napa, a mais animada da ilha, onde a festa rola manhã e noite no melhor estilo de Ibiza.

Famílias talvez prefiram Pafos, do outro lado de Chipre, onde se concentram os principais resorts e os melhores hotéis, especialmente populares entre visitantes ingleses. Pafos foi eleita em 2017 uma das duas Capitais Europeias da Cultura, em parte graças a seu importante patrimônio histórico (há lindos mosaicos gregos lá), em parte pela atenção que Chipre vem ganhando. Além do mais, é a cidade onde, segundo a mitologia grega, Afrodite nasceu. Há mais praias em Limassol, o principal porto cipriota e a mais cosmopolita das cidades da ilha. É, também, a mais preservada historicamente, cheia de becos e casarões que lembram o bairro de Plaka, em Atenas, espalhados ao pé de um castelo do século 16. É o melhor lugar de Chipre para se perder em busca de tavernas, restaurantes, bares, cafés e boutiques. Uma vez lá, não deixe de conhecer Cúrio, antiga cidade grega que se tornou o mais importante patrimônio arqueológico de Chipre – classificado pela Unesco. O ponto alto é seu anfiteatro voltado para o mar – o espetáculo, ali, é o azul voluptuoso do Mediterrâneo.

E, falando em patrimônio, aproveite para subir a serra até as montanhas Troödos, também listada pela Unesco: ali os monges se esconderam em tempos bizantinos e deixaram, em suas igrejas e mosteiros, algumas das mais belas pinturas do mundo ortodoxo.

O lado turco é menos desenvolvido que o grego, o que pode ser interessante para o tipo de viajante que gosta de explorar novos territórios. A paisagem ali é mais agrícola, o que inclui colinas repletas de oliveiras (que produzem alguns dos melhores azeites do mundo), pastores e seus rebanhos de cabras e a célebre hospitalidade turca. Cirênia e Famagusta são as principais cidades, a primeira com um lindo centro histórico, a segunda com uma intrigante mesquita instalada dentro de uma igreja gótica.

Em ambos os lados da ilha, porém, o que não falta é boa comida. Além de incluir em seus menus sabores tanto da Turquia quanto da Grécia, Chipre também desenvolveu uma culinária própria, e inclusive seus próprios ingredientes, como é o caso do queijo de cabra halloumi, habitualmente servido na chapa. Um prato exclusivamente cipriota é a sheftalia, um embutido com carne de cordeiro e de porco envolto em gordura de vísceras de animais. Melhor se acompanhado de um bom vinho cipriota, produzido
nas aldeias próximas a Limassol a partir de variedades internacionais e nativas, como a Mavro e a Xynisteri. Para finalizar, uma taça do licoroso commandaria, que é tido como o vinho mais antigo do mundo – citado pelos cronistas da Grécia Antiga e descrito pelo rei inglês Ricardo Coração de Leão como “o vinho dos reis, o rei dos vinhos”. Diante de tudo isso, é mais do que compreensível o presente que Marco Antônio deu a sua amada Cleópatra: a ilha de Chipre, simplesmente.

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